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Pico da Neblina : Primeira Temporada

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  Pico da Neblina , dirigido por Quico Meireles, Brasil/2021. A nova série da HBO América latina aborda a legalização da cannabis em território brasileiro. Como protagonista da primeira temporada da série de dez capítulos que giram em torno de cinquenta minutos cada , temos Biriba, interpretado por Luis Navarro, um traficante da erva que sustenta sua família com o lavoro; família esta composta por sua mãe, irmã e mais duas sobrinhas pequenas, ou seja, Biriba é o único homem da família. A vida do protagonista segue normalmente na “perifa” ou quebrada da capital paulistana até que seu produto é legalizado na câmara federal, e por tal motivo seu corre diário é finalizado; e isto acontece já no primeiro capítulo. Biriba tem de recorrer a outros “corres” para continuar sendo provedor da sua família que, agora tem de Biriba, a continuação do seu pai, famoso traficante dos anos 1990, entretanto para seu filho tratava-se de uma espécie de anti-padrão a ser seguido, pois era traficante de cocaí

17 Festival de cinema de Ouro Preto

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  Aconteceu de forma remota e presencial , de 22 a 27 de junho, o   17 festival de cinema de Ouro Preto, onde a temática indígena foi o tema central, tanto como cineastas como também os seus temas, tais como: suas ancestralidades desde as suas angústias atuais , que é o roubo das suas terras e recursos por madeireiros, traficantes de armas e drogas, grileiros entre vários outros oportunistas, basta só lermos algo sobre a floresta amazônica para termos uma noção do que está acontecendo com eles. Acompanhei o festival de forma remota, porém nem por isso deixei de assistir a belíssimos filmes, entre curtas, longas e documentários. Todavia destacarei dois documentários : um longa e outro curta-metragem, ambos direcionados ao nosso maior diretor de todos os tempos: Glauber Rocha. Os filmes são : Glauber, Claro   e Carta para Glauber. Pois bem , primeiro vamos ao longa : Glauber, Claro , dirigido e roteirizado por Cesar Meneghetti, SP/2021. Rodado praticamente em toda sua totalidade em Roma,

Eduardo e Mônica

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  Eduardo e Mônica , dirigido por René Sampaio, Brasil/2020. Vender direitos autorais é sempre um risco: pode dar mais certo do que o original, se manter no mesmo patamar do mesmo, ou ficar pior.  O filme pertence a terceira opção. Não diria que faria uma versão melhor, mas também pior seria impossível. Quando se pega um símbolo de uma geração, que é o caso da letra da música do Renato Russo , não dá para ter desmedido desleixo na descrição de Eduardo, e principalmente de Mônica. Do Edu esperávamos um adolescente como era, talvez um pouco melhor, todavia a Mônica ( Alice Braga ), sendo o fio condutor da relação, é que o filme se perde no seu excesso. O roteirista , e também o diretor, quis colocar todo o “gênio” na estudante de medicina que falava alemão; o resultado: ficou uma persona inchada por egos, onde a atriz Alice Braga danifica uma personagem que simbolizava toda uma geração feminina ( escrevo isso porque tenho uma irmã de 42 anos ), e masculina também por imaginar uma outra c

Jesus Kid

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  Jesus Kid , dirigido e roteirizado pelo baiano radicado em Curitiba, Aly Muritiba, Brasil/2022. “ Barton Flink de cú é rola!” . A frase sintetiza a obra fílmica. Um escritor é chamado para escrever, em três meses preso num quarto de hotel, a biografia do presidente, este bem descrito como o atual. No filme Nos Bastidores de Hollywood, o Barton Flink é um escritor e roteirista da indústria cinética norte-americana que passa por um momento de crise criativa, onde não consegue entregar seu trabalho a tempo estabelecido por contrato assinado. O nosso protagonista, o sempre Titãs Paulo Miklos, passa pelo mesmo processo de escassez de criação quando lhe é pedido e pago para escrever a tal biografia presidencial, sobretudo esta sob um formato ou uma intenção em reeleger o atual mandatário do executivo nacional: o Bolsonaro, no caso. Os meses e dias vão se passando no luxuoso hotel de Curitiba e a ojeriza por colocar em linhas a biografia de um crápula , só vem com a contrapartida em anular

Um País Que Sabe Se Comportar

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  Um País Que Sabe Se Comportar ( Un Pays Qui Se Tient Sage ), França/2020, dirigido por David Dufresne.  A obra ficcional tem alguns elementos narrativos que permitem que saiamos da realidade, e por isso tem o nome: ficção.   No documentário a realidade já está lá , nos limitando em contar um fato ou ocorrido, ainda que com se tenha a liberdade do diretor escolher que lado abordará esta “realidade”. Por conta do documentário exprimir mais a vida que nós vivemos em relação a ficção, tal gênero nos aproxima um pouco mais das nossas vivências reais, não imaginárias, e logicamente o seu eco é latente quando nos identificamos o que tem uma relação particular com sua vida. Dei essa volta toda para explicar como este documentário “bateu” em minha pessoa. Em 2007, estava em Paris com meu pai, já falecido, e neste outono vivemos de forma intensa como nunca nos tínhamos nos permitido. Com 10 pra 11 anos perdi o contato com ele devido a separação com a minha mãe e logo a distância ficou ainda ma

As Faces do Mao

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   As Faces do Mao , dirigido por Dellani Lima e Lucas Barbi, SP-2021. "Somos todos filhos da miséria", afirma nosso protagonista logo de inicio de Doc. A frase é dita num contexto que é surgido a sociedade brasileira, ou seja, sendo descendente de espanhol, que era o caso do galiciano protagonista, ou descendente italiano, ou do continente africano, somos todos fugidos da "terra natal" pela miséria, buscando vida melhor em solo tupiniquim. A frase é dita pelo vocalista da emblemática e lendária banda de punk rock nacional:  Garotos Podres; onde o Mao, que além de músico, é professor de história da rede estadual paulista de ensino desde 1988 até os dias atuais. Sindicalista e ferenho apoiador do PT, José Rodrigues Mao Jr. defende seus ideais , estes que se misturam e se confundem com a origem do movimento punk e com o partido político citado, pois ambos defendem, ou defendiam o proletariado contra a opressão do estado e do sistema capitalista. O documentário se fech

Crítico

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  CRÍTICO Documentário | Cor | Digital | 76 min | PE | 2007 Direção: Kleber Mendonça Filho Segue sinopse: 70 críticos e cineastas discutem o cinema a partir do sempre interessante conflito que existe entre o artista e o observador, o criador e o crítico. Entre 1998 e 2007, Kleber Mendonça Filho registrou depoimentos sobre esta relação no Brasil, Estados Unidos e Europa, a partir da sua experiência como crítico. Com depoimentos reveladores de criadores como Gus Van Sant, Tom Tykwer, Eduardo Coutinho, Curtis Hanson, Carlos Reichenbach, Walter Salles e Carlos Saura, Crítico abre uma janela para uma arte cada vez mais julgada por mecanismos de mercado, e que luta para permanecer humana tanto no fazer, como no observar. A mente humana, ou seja, a capacidade de termos de pensar nos distingue dos demais animais, nos tornando assim racionais. A profissão crítico de arte, e aí englobo todas as artes, tem a missão em ser o mais racional possível, tarefa que, por vezes, fica impossível pe