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Moolight - Sob A Luz Do Luar

Moonlight – Sob A Luz Do Luar, de Barry Jenkins, EUA, 2017. Imagina ser criança negra, morar em um subúrbio barra pesada e a inda por cima sofrer bullying por ser homossexual, sendo que seus amigos sabem, e por isso o sacaneiam, e ele nem imaginara suas questões genéticas diferentes. Esta é a trama inicial do filme vencedor do Oscar 2017, e com méritos. A sacada da narrativa é a esperteza em colocar dois tempos encontrando-se pela rua. Ou seja: temos uma criança que não entende nada o que se passa ao seu redor, e um adulto que já passara por tudo que aquele garoto está passando e por isso começa a aconselhá-lo, mesmo este sendo traficante que vende crack a sua mãe. O atrito está estabelecido na curva obrigatória “tensionística” do roteiro: um amigo que faz bem ao garoto, mas faz mal a sua mãe e por consequência faz mal e eletambém, isto é, o cara faz bem e mal para o garoto. O problema ou a solução é que o garoto percebe que pode confiar mais em seu amigo traficante do que na sua mãe …

Vikkings - Segunda parte da Quarta Temporada

Vikkings - Segunda parte da Quarta Temporada, do canal History Channel, EUA, 2017. Os cinco últimos primeiros capítulos da quarta temporada tem como foco ainda o Rei Ragnar, que volta totalmente desacreditado da terceira temporada após o fracasso na invasão da Franquia, atual França. Desacreditado ao ponto de um humilde camponês cuspir em seu rosto; gesto esse engolido pelo rei em frangalhos. Nesta atualidade quem dava as cartas e o povo tinha como rei supremo era o primogênito de Ragnar, este que tinha outros planos: através de fiapo de mapa surrupiado na batalha na Francia, o rapaz quer esquecer a pequena Francia e navegar por mares do Adriático, onde encontrariam os países atuais, tais como: Espanha, Itália e Portugal. Porém como último pedido do seu pai sua viagem é adiada ( para quinta temporada), pelo motivo de Ragnar ainda querer voltar a Franquia e a atual Inglaterra para ajustar contas com reis traidores, mas acima de tudo com seu irmão. O interessante dos primeiros cinco cap…

Jonas E O Circo Sem Lona

Jonas E O Circo Sem Lona, da amiga Paula Gomes, Brasil, 2017. Realizar um filme que tenha a ver com seu universo flui mais rápido ,eficiente e prazeroso, de modo que tudo acontece sem stress e com uma naturalidade de quem só vive aquele universo não acha todo o resultado incrível, mas sim fruto de uma vida dedicada e apaixonada pelo circo, neste específico caso que iremos tratar a partir de agora. Tive o prazer de ver esta obra juntinho com a diretora e o protagonista, Jonas: um menino de treze anos de idade que teve que abandonar o circo para viver “normalmente”, como um menino comum em Dias D`Ávila, na região metropolitana de Salvador, vive. Todavia o longa surge deste empasse, afinal como um menino do mundo fantástico circense pode se alienar e juntar-se com outros numa escola pública da Bahia? A resposta é que sim, isto é, ele não só pode como se junta na educação formal, e com certeza pela inoperância da formalidade e burrice da nossa educação, surge uma necessidade vital para um…

Camino a La paz

Caminho a La Paz (Camino a La Paz), de Francisco Varone ,Argentina, 2016 . A pergunta que não quer calar é: Os opostos mesmo se atraem? Escrevo que sim. Entretanto o enredo do filme se permeia pela seguinte situação: um argentino ,de Buenos Aires, doente com câncer na tireoide, precisa se deslocar até La Paz, capital boliviana, a fim de dar o último tchau aos seus familiares. Todavia a viagem requer cuidados específicos, como por exemplo, urinar de hora em hora na estrada, rezar de quatro e quatro horas por ser muçulmano, etc. Ou seja: coisas que um transporte coletivo não faria. Aí então surge o segundo personagem da trama: um portenho taxista pobre e trambiqueiro que vê o dinheiro, única e exclusivamente, como saída para todos os seus problemas, isto é, um capitalista de carteirinha e já com alguns anos de prática percorrendo bem ilicitamente, escreva-se de passagem. O pulo do gato do roteiro, e conseqüentemente do filme, é o de juntar os dois personagens tão distintos; enquanto um …

Jackie

Jackie, do chileno Pablo Larraín, EUA, 2016. Fui ver esse filme, que inda continua em cartaz, porquausa do diretor e me decepcionei. O grande nome do cinema chileno atual se vendeu a Hollywood e perdeu todo o prestígio do público independente que curtia os seus filmes. Após o filme “No”, Pablo voa voos mais audaciosos, financeiramente, e faz este filme. Entretanto acho que ele calculou errado, ou não calculou a falta de criação que não se têm quando filma para grandes estúdios. Jackie é um filme bem feito, sem dúvidas, mas inexiste aquele ar anárquico que existia em “No”,  por exemplo e principalmente em suas entrecenas, fato este que dá todo o ritmo ao filme e o direciona no sentido em criar uma expectativa no que poderia vir a acontecer, ou seja, é o responsável pela tensão dramática ou o máximo clímax de tensão de uma narrativa cinematográfica. Tudo em Jackie é muito bem calculado, de modo que conhecendo o diretor através da sua filmografia original, percebemos nitidamente até, a f…

Horizonte B

Horizonte B, da Netflix, Brasil, 2017. Sempre quando acabo de assistir a uma série bisbilhotei-o primeiro no Youtube pra ver se tem uma crítica falada que do que vi. Se por ventura não existir recorro ao Google pra ler algo escrito. Curiosamente não achei em nenhum tipo nada da segunda série brasileira da Netflix, fato este que considero um susto, já que todos tem Netflix. Pois bem, então deduzi que não levaram a sério a série por se tratar de uma minissérie; explico: geralmente as séries são compostas de dez capítulos ou mais com cinquenta e poucos minutos cada episódio, e Horizonte B é uma série de só quatro capítulos de vinte e cinco minutos cada. Ou seja: em duas horas cravadas você acaba com a série latentemente gauchesca. Talvez tenha sido isso: ninguém quis escrever ou comentar sobre ela por ser demasiadamente gaúcha, mas pera lá: sabendo-se que a série mais vista pelos norte-americanos é exatamente uma outra série brasileira, seria então admissível que essa série tivesse mais …

Jovens infelizes ou um jovem que grita não é um urso que chora

Jovens infelizes ou um jovem que grita não é um urso que chora, de Thiago B. Mendonça, Brasil, 2013. A cada dia acho o universo teatral mais apaixonante pela sua irmandade e verdade dessa arte. A obra fílmica em questão permeia-se neste universo através de um grupo de atores independentes. O filme mostra as ideologias desses artistas que, inevitavelmente vão contra a tudo estabelecido. Ou seja: são estranhos no ninho e parecem nadar-se sempre contra a maré, fato este que por mais que exista irmandade uma hora o sistema mostra quem manda bruscamente e a realidade é transposta as estas realidades utópicas. O título vem bem a calhar: Jovens infelizes, pois uma hora ou outra a verdade vem à tona e aí nem as orgias habituais do grupo salvam uma luz cortada ou uma geladeira vazia. Embora não queiram é preciso fazer dinheiro para, no mínimo, conseguir comer. Porém ideologias radicais não permitem tais sacrifícios e viver só de arte vira um tormento, e isso por mais companheiros que estejam n…