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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Viver e Evoluir.

O equilíbrio da mente humana é o grande desafio para nós. Mas será que a mente humana tem esse valor e capacidade para nos colocar  em “equilíbrio”?. A minha resposta é não: temos não a capacidade de nos equilibrar naturalmente. É necessária uma química a mais, e por mais politicamente incorreto que essa afirmação possa ocorrer é a mais pura verdade. Ou seja: para criar algo de impacto e novo é preciso romper com o pré-estabelecido, isto é, formar novas formas de pensar , e isso por mais difícil que seja até para um professor que tem um semestre inteiro para tal função, haja vista um simples estudante de graduação em língua estrangeira com seus amigos-alunos semianalfabetos sob três dias em seu suposto comando. Não sei se serei um professor remunerado algum dia, mas acho a tarefa dificílima, não impossível. O povo brasileiro não é desprovido de inteligência, mas sim de oportunidade de aprender o que o mercado não exige ainda, que é o português bem falado e principalmente escrito.

Pertinências Alfandegárias

 Maconha ou Cocaína, e aí  qual você prefere? Uma droga é a oposta da outra, isto é, enquanto a cocaína de joga pra cima sem cinto de segurança, a maconha em contrapartida te deixa cravado no chão como o filosofo Sócrates. Mas existe algum paralelo que pode linkar essas duas drogas? Os efeitos químicos são diferentes , enquanto uma te atiça outra de deixa pensativo, mas também agindo em sua mente. Ou seja: as duas te tiram do lugar comum, na forma cotidiana de agir e pensar. Estatística é que Cannabis e Coca são ainda as drogas mais consumidas do mundo. E porque isso acontece? Não sei, vá perguntar aos Deuses ou aos Diabos, sei que é hipocrisia afirmar essas drogas são te dão mal-estar, caso contrário porque seriam tão disputadas? A verdade é que as pessoas querem passar por outras experiências para a fim de saber de fato quais são as delas ou quais experiências fazem a “ cabeça” delas? Existem as drogas não usadas, mas sim as absorvidas, que com o tempo e obstinação perante disciplina e amor faze com que você sinta-se completo quimicamente embora esteja limpo fisicamente. A literatura é um bom exemplo, mas para que chegue a tal patamar haja bagagem teórica das outras artes e da própria literatura para ser feliz e realizar-me plenamente somente na ação de ler e escrever, caminho esse que ainda chegarei lá com bastante fé e trabalho pelo não esclarecido ou pela criação do não estabelecido. Fato é que acreditar na endorfina ainda continua a melhor solução no sentido em criar ideias e administrar sua vida sem ricos maiores, afinal de contas não vale a pena se arriscar por tão pouco.




Valsa para Bruno Stein

Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento, Brasil, 2008, com Walmor Chagas. Embora seja do interior do Rio Grande do Sul com quase a divisa com a Argentina o filme nos remete ao provincianismo do Brasil, do Oiapoque ao Chuí ,sem exceções. A narrativa do enredo é singular e simples como todo interior brasileiro: tem-se um patriarca e por consequência quase ou totalmente necessária seus parentes posteriores, tais como filhas, sobrinhas e netos. Uma geração entende o mundo de uma maneira, já outra quer sair daquele fim de mundo para ser dono do seu nariz, já que no interior isso é mais difícil. Não foi o último trabalho do protagonista, porém talvez um dos últimos e precebemos nada sobre a questão do seu suicídio. Quando uma pessoa quer dar cabo de sua própria via é porque a coisa tá muito feia, mas muito feia é a personagem que o Walmor Chagas faz: um patriarca do século passado que mantem a todo e qualquer custo as tradições e modos de como conseguira fazer a sua pequena fortuna interionana, provindas da criação leiteira e de abate dos suínos, tais  como porcos, ovelhas, carneiros, bodes, vacas e bois. A questão não é financeira nesse filme , mas sim a de valores, onde o que é mais importante é como se ganha e não de modo ou circustância se ganha dinheiro. Ou seja: se for do estilo antigo é merecível e aceitável, mas se não for o dinheiro é podre e imprestável. Os dilemas morais centram o roteiro do filme, até que a neta do protagonista decide sair da fazenda e se muda para a capital, Porto Alegre. Choque tremendo para o patriarca já que este tinha o costume de ordenar até que horas o jantar estaria servido ou até que exatas horas de minutos os seus funcionários trabalhariam, labuta esta que este o fez em “fazer a vida” no sul do Brasil, e agora poder descansar e ainda encher seu ego ordenando seus funcionários rurais. A narrativa flui através desse entrave de gerações de maneira que o tempo consegue maestralmente ser ordenador onde e aonde cada fato iria ocorrer, isto é, na capital de um grande país ou em apenas algum mísero interior, mesmo que esse fosse a capital de um mísero estado. A atuação de Walmor Chagas é estupenda, assim como outras que fizera.

A Qualquer Custo

A Qualquer Custo, dirigido por David Mackenzie, EUA, 2017. Em primeiro olhar vemos um filme de faroeste moderno, todavia se focarmos melhor na obra observamos nitidamente a crise financeira que passou os EUA em 2008 e por isso elegeu o Trump para colocar a casa em ordem e criar mais empregos a um país que se desmoronou economicamente enquanto o resto do mundo pensasse que estivesse tudo ok. Nada é à toa; imaginem eleger um Trump da vida se as coisas não tivessem bastantes ruins por lá. Verdade que a Hilary Clinton, sem carisma algum, ajudou muito para eleger um babaca como o Trump, mas a pergunta é: o que será do mundo com um completo idiota no poder da principal potência mundial? Estamos apreensivos e nos perguntamos o porque dos cidadãos norte-americanos elegerem um cidadão com Trump? Quem acompanhou os debates viram e perceberam que o Trump deu um show na Hilary Clinton e quando o resultado chegou nada se abalaram. Será que agora o mundo vai ser um bang-bang como o filme? Respondo: Não será! O que o presidente quer, até o muro no México, não necessariamente será feito por a corte judicial saber de quem estar no poder hoje é um completo desvairado que fala o que quer , mas o mundo não o ouvirá sempre. Sim, o mundo mudará com o Trump, mas as coisas continuarão em seu pleno vigor, e isso por mais que aconteça ou não mais ataques terroristas ou a Rússia ganhe mais poder e prestígio mundial. Todavia voltemos ao faroeste moderno A Todo Custo. Pois bem, devido a uma hipoteca familiar em pendengas e a natureza de dois irmãos, estes começam a fazer assaltos a bancos na região do estado continental do Texas. Com os inúmeros assaltos nas pequenas cidades da região os ladrões logo chamam a atenção das autoridades locais, compostas essas por xerifes descendentes de índios do país, o que origina uma boa discussão sobre a posse do terreno daquele lugar. O filme é eficaz no que concerne observar os fatos atuais e antigos dos EUA, fazendo um “apanhadão” da formação daquela potencia e responder por que ela estaria passando pelo que está, isto é, igualzinho a outros países colonizados, onde os colonizadores “botaram pra fuder” nos colozinados e até hoje a dívida não foi paga e nunca será, escreva-se de passagem. De mais o filme narra este faroeste moderno após crise de 2008, onde parece que existe uma terra sem lei no Texas, mas logo percebemos que pensamentos de lunáticos tem prazo curto de terminar. Sinceramente: o filme tem algumas indicações para o Oscar 2017 em pleno carnaval, porém acho bem difícil que ganhe ao menos um. Talvez e até por falta de concorrente o musical La La Land ganhe os principais prêmios no principal premio da indústria cinematográfica mundial.

Pais e Filhos

Se vivo fosse Kurti Cobain hoje completaria cinquenta anos. Embora não entendessem tudo ou muito via todos meus colegas de segundo ano colegial usando calças que pareciam cagados . Claro que aderi e adepto a moda grunge fui sem ,de inicio, conhecer o ritmo, era mais do Trash metal mesmo e idolatrava bandas como Sepultura e Ratos do Porão. Era tão fã do Sepultura que dei o nome de Max Cavaleira ao meu primeiro cachorro que tinha como prerrogativa ser meu e eu ser seu dono em todas as questões e quesitos possíveis e impossíveis de minha imaginação adolescente. Kurti, assim como outros, foram-se na idade dos 27, e eu que tenho já 39 ainda perduro e continuo na minha caminhada pra sei lá onde. A saudade desse e de outros é um dilema que tenho que carregar, afinal a vida continua e o show não pode parar, e isso ainda sem o risco de correr em ser piegas. As pessoas têm de ser felizes, porque não podem simplesmente serem tristes, porque isso é proibido? Quem é triste é mal compreendido classificando como depressivo. Queria ter o direito em ser triste por não achar graça no que a maioria acha, mas isso não é possível. Triste é ser problemático, mas será que quem é problemático é o mundo e não quem é triste? Acho até que ser triste é ser mais condizente e lúcido porque o mundo tá uma merda né não ou tô falando alguma mentira? Pra quem tem um mínimo de massa cinzenta não pode ou não consegue ser feliz neste mundo de hoje, mas como mencionei, ser triste é proibido, é algo como anticonstitucional e politicamente incorreto; por mais que as coisas estejam mau a positividade tem de reinar e você mostrar o que acha e que sente não interessa a ninguém a não ser você. Graças ao bom pai curso uma graduação bacana: Letras, o que me faz me comunicar através da escrita, espécie esta que não tem limites nem bloqueios: é só sentar a bunda na cadeira e meter o dedo com ou sem inspiração. Hoje o Kurt Cobain fez-me lembrar meu pai. Ele se foi com 62 anos de idade, muito novo. Tinha 32 quando o perdi e faltou muita coisa para vivermos juntos embora tenha vividos bons momentos no tempo curto que estivemos juntos. Meu pai era um cara do caralho: não tinha nada a ver com esses pais padrões. Não assistia o Fantástico comigo e nem me aconselhou na primeira vez que tive que arrumar uma namorada, mas do jeito dele o amei loucamente. Hoje sinto tanta falta desse carinha que me pôs no mundo que não podem mensurar isso e nem dá pra escrever também esse sentimento. Tive um rompimento abrupto com meu pai quando ela resolveu se separar e voltar para sua cidade natal com outra mulher em São Paulo, capital. Aos dezesseis anos nossos encontros eram em férias ou em campanhas políticas nas quais trabalhava e íamos, eu e meus três irmãos, a todos os cantos do Brasil. Como todo bom descendente de italiano meu papai via a família como algo de mais importante na sua vida, embora não abrisse mão da sua liberdade de ficar sem ela, ou por amor a outra ou por amor a si próprio e a sua liberdade. Papai foi um homem intenso e trabalhador, mas também sabia viver e não abria mão disso, o que hoje compreendo como certo da sua parte, afinal se não viver sua vida quem poderia fazer isso? Quando se é criança com um tanto grau imaginativo esperamos que os adultos sejam super-heróis, o que na verdade não são e isso cascudamente aprendi ao longo de muitas cabeçadas que tive, sejam elas existenciais ou por uma suposta relação de afeto não aferida ou retribuída. O que aprendo da vida é que vale um questionamento se vale ou não colocar alguém no  mundo, coisa que até hoje não fiz e não tive oportunidade também, mas fato é que colocar alguém no  mundo implica hoje questionamentos que talvez em sua época não tivesse preocupação. Hoje o custo de vida é bem mais caro, sem falar nas inúmeras leis que te colocam atrás das grades se não tiver um mínimo de dinheiro para sustentar seu filho, e isso sem falar nos mimos de hoje em dia como as modas carrerrímas e outras cositas mais. Mas no geral acho que pai faz uma puta falta, então se ainda tem o seu valorize porque depois será tarde demais para chorar pelo leite derramado.

Redemoinho

Redemoinho, dirigido por José Luiz Villamarim, Brasil, 2017. Em tempos tão difíceis politicamente com gestores públicos tão despreparados ( mas seriam melhores que os ladrões de todo o sempre?)o filme do Villamarim se torna muito necessário. Introduzi a política no início do texto porque o filme a abrange também, mas não só ela. A obra se torna tão necessária hoje em dia que o tema “política” é mais um entre inúmeros que o filme trata, afinal estamos destinados a viver sob a égide das constituições sob os plenos cotidianos de ir e voltar ao trabalho e respeitar as jurisdições as que as empresas nos atribuem assim como “dar” certo montante ao INSS e outros encargos sociais, ademais pegar impostos discrepantes e pulsantes em nossos alimentos poluídos para nos matarmos cada vez mais cedo com muitos transgênicos e impostos. Ou seja: morremos no bolso e no corpo comendo, mas se não comermos morreremos mesmo assim, então que metam agrotóxicos em nossos rabos e que fiquemos calados, afinal quem se importa com o resultado de trinta anos posteriores já que a regra é resolver o pepino do “aqui e do agora”. Não temos tempo para pensarmos de como será nosso futuro já que nem do nosso presente estamos dando conta, então que a fatura chegue mais tarde mesmo já que a vida é assim mesmo, sem muitas escolhas, sem muitas opções. Ou seja: ou és fodido pela frente ou por trás já que estamos em um jogo em que já estamos predestinados a sermos loosers por não podermos estabelecer as regras do jogo. Indagações acerca ou sobre o que o filme causou a este critico a parte vamos embrenhar estas linhas no filme mais propriamente escrito, mas não que estas indagações sejam supérfluas, pelo contrário, acho que até será mais útil que todas estas linhas posteriores, mas como oficio da profissão não filosofarei mais que  fiz e focarei na estória da trama, esta que por sinal fora adaptada de uma obra literária. Redemoinho conta a retomada de um mineiro de Gatagases que volta a cidade natal para passar natal com sua mãe. Após dez anos em São Paulo as lembranças voltam a tona, assim como os amigos. A narrativa explosiva é contada na véspera do natal com o encontro de dois amigos de infância que tem coisas a contar um ao outro e lembrar o que fizeram ou o que deixaram de fazer. Protagonizado pelos dois atuais melhores atores de cinema do país, Irandhir Santos e Júlio Andrade   , e ainda por cima com a presença de Cássia Kis e Dira Paes, os quais compram a ideia de estarem em um filme do caralho, a narrativa flui de uma maneira tão peculiar que de fato quando os atores querem que o filme dê certo este não tem como dar errado e feliz do diretor que consegue essa proeza, afinal sabemos de como são estranhos e difíceis estes seres chamados por atores, então quando o diretor consegue vender a ideia pra eles só resta comemorar, porque quem faz o filme são eles e não os diretores. Entretanto como mencionávamos a trama girava em torno do encontro de dois amigos de velhos tempos, que de certa forma, estavam vivendo suas vidas no automático por não terem muitas respostas as suas perguntas que tanto os empacavam , e por isso não andavam muito pra frente. Com o passar do filme as verdades são jogadas à tona e os cabrestos mineiros daqueles dois sacripantas , que é uma mistura de sacana com anta ( fruto inclusive da alma brasileira ), e as implicações das suas ações passadas são relembradas de modo que tal acontecimento causa um enorme furor e ardência na narrativa, que chega a um ponto em que as verdades são peitadas pelas mentiras, e vice versa. A trama se desenrola com alguns pontos ápices dramáticos, porém o roteiro mantém-se coerente com a história de um acerto de contas de amigos os ex-amigos, pois como mencionei no início do texto em um contexto político-social mundial tão conturbado como o de hoje, será que ainda temos o luxo de termos alguém em quem confiar? Fato é que mais uma vez reescrevo a afirmação que o filme se torna necessário por sua profundidade com leveza em abordar tantos temas importantes. Redemoinho nos faz acreditar que a arte pode de fato transpor barreiras e ainda afirmar que o cinema nacional passa por um bom momento com treze filmes nos festivais de Berlim e dez em Roterdã em 2017, por os mandatários de o cinema nacional terem entendido, até que fim a ficha caiu, que um cinema autoral com ideias próprias e genuínas pode não ser a melhor das fotografias nem dos slogans, mas definitivamente é o caminho certo para a construção de um cinema nacional mais forte e competitivo, tanto no quesito de ideias de roteiro como na construção fílmica da obra. Ou seja: não temos mais pra onde correr: ou evoluímos com filmes que não “aborreçam” ou estamos fadados a ficarmos parados no tempo, coisa esta que acontece e estamos começando a tentar sair desse rumo, basta então os órgãos competentes acreditarem e investirem em filmes originais para que de uma vez por todas saíssemos de tal caixinha ordinária e ultrapassada de um cinema tupiniquim que só tem sexo e violência. É necessário sair da zona de conforto, e por isso tem que pagar pra ver, e apostar em novos formatos que mostre o Brasil de uma forma menos estigmatizada, e Redemoinho é um exemplo a ser seguido em matéria de originalidade.  

A Oeste Do Fim Do Ano

A Oeste Do Fim Do Ano, de Paulo Nascimento, Argentina/Brasil, 2014. Estamos na Argentina em um velho posto de gasolina perdido na imensidão da antiga estrada transcontinental que é o refúgio do introspectivo Leon (César Troncoso). De poucas palavras, poucos gestos e nenhum amigo, sua solidão só é quebrada por um ou outro caminhoneiro eventual que passa por ali para abastecer. Ou pelas visitas sempre bem humoradas do sarcástico Silas (Nelson Diniz), um motociclista com ares de hippie aposentado. O tempo passa devagar nas margens da velha estrada. Até o dia em que a enigmática e inesperada chegada de Ana (Fernanda Moro) transforma radicalmente o cotidiano de Leon e Silas. Aos pés da imponente Cordilheira dos Andes, segredos que pareciam estar bem enterrados vêm à tona, reabrindo antigas feridas e mudando para sempre a vida dos protagonistas. Esta poderia ser uma sinopse perfeita, mas imprecisiva. Fato é que Silas como a mulher que acabar de chegar ao local estavam paralisados devido a traumas do passado e barras pesados, senão não estariam naquela situação limítrofe onde nada mais importava, principalmente as pessoas. A mulher se separou porque perdera seu filho por um vacilo maternal, e imagina a culpa que esta ser carrega por tal distração em deixar afogar seu único filho de dois anos. Fora a Argentina, mas poderia estar no Marrocos que não faria nenhuma diferença: era um ser errante e sem rumo. O cara do posto era outro desgraçado que a vida o predestinou a sofrer por um motivo quase igual: a diferença é que seu filho ainda estava vivo, mas como não o via e não se relacionava com ele era a mesma coisa de estar morto. Ou seja: dois desafortunados da vida se encontram querendo se esconder do mundo, seria o destino? Pra quem acredita nisso poderia até ser, mas ao mais céticos seria a “desgraçatez” unida de forma dupla para entender o porque a vida fizera isso com aquelas almas revoltosas , e com razão, escreva-se de passagem. O filme pode ser considerado um rodie movie embora não ande pela estrada, mas sim paralise-se nela. A fotografia de um lugar tão bonito e inóspito e os silêncios barulhentos das personagens são os pontos fora da curva de uma obra fílmica que de primeira não nos mostra nada, mas que com um olhar mais atencioso ou generoso vemos a fragilidade dos homens por justamente sermos seres sociais por excelência ou por genética mesmo. E por mais que lutemos ou discordemos acerca disso cairemos na mesma discussão sobre a solidão ser bom ou ruim para nós, e o filme nos mostra que ser sozinho é impossível até mesmo porque sempre tem alguém que consegue te encher o saco, e isso para o bem ou para o mau.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Bafta 2017

Melhor Filme
- A Chegada, de Denis Villeneuve
- Eu, Daniel Blake, de Ken Loach
- La La Land - Cantando Estações, de Damien Chazelle
- Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan
- Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins 

Melhor Filme Britânico
- Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates
- Docinho da América, de Andrea Arnold
- Eu, Daniel Blake, de Ken Loach
- Negação, de Mick Jackson
- Notes on Blindness, de James Spinney e Peter Middleton
- Sob a Sombra, de Babak Anvari 

Melhor Diretor
- Damien Chazelle, por La La Land - Cantando Estações
- Denis Villeneuve, por A Chegada
- Ken Loach, por Eu, Daniel Blake
- Kenneth Lonergan, por Manchester à Beira-Mar
- Tom Ford, por Animais Noturnos 

Melhor Roteiro Original
- A Qualquer Custo
- Eu, Daniel Blake
- La La Land - Cantando Estações
- Manchester à Beira-Mar
- Moonlight: Sob a Luz do Luar 

Melhor Roteiro Adaptado
- A Chegada
- Animais Noturnos
- Até o Último Homem
- Estrelas Além do Tempo
- Lion: Uma Jornada Para Casa

Melhor Ator
- Andrew Garfield, por Até o Último Homem
- Casey Affleck, por Manchester à Beira-Mar
- Jake Gyllenhaal, por Animais Noturnos
- Ryan Gosling, por La La Land - Cantando Estações
- Viggo Mortensen, por Capitão Fantástico 

Melhor Atriz
- Amy Adams, por A Chegada
- Emily Blunt, por A Garota no Trem
- Emma Stone, por La La Land - Cantando Estações
- Meryl Streep, por Florence - Quem é Essa Mulher?
- Natalie Portman, por Jackie

Melhor Ator Coadjuvante
- Aaron Taylor-Johnson, por Animais Noturnos
- Dev Patel, por Lio: Uma Jornada para Casa
- Hugh Grant, por Florence - Quem é Essa Mulher?
- Jeff Bridges, por A Qualquer Custo
- Mahershala Ali, por Moonlight: Sob a Luz do Luar 

Melhor Atriz Coadjuvante
- Hayley Squires, por Eu, Daniel Blake
- Michelle Williams, por Manchester à Beira-Mar
- Naomie Harris, por Moonlight: Sob a Luz do Luar
- Nicole Kidman, por Lion
- Viola Davis, por Fences 

Melhor Filme em Língua Estrangeira
- Dheepan: O Refúgio (França)
- Filho de Saul (Hungria)
- Julieta (Espanha)
- Mustang (França)
- Toni Erdmann (Alemanha) 

Melhor Filme de Animação
- Kubo e as Cordas Mágicas
- Moana: Um Mar de Aventuras
- Procurando Dory
- Zootopia 

Melhor Documentário
- A 13ª Emenda, de Ava Duvernay
- Notes on Blindness, de James Spinney e Pete Middleton
- The Beatles: Eight Days a Week, de Ron Howard
- The Eagle Huntress, de Otto Bell
- Weiner, de Elyse Steinberg e Josh Kriegman 

Melhor Fotografia
- A Chegada
- A Qualquer Custo
- Animais Noturnos
- La La Land - Cantando Estações
- Lion 

Melhor Edição
- A Chegada
- Animais Noturnos
- Até o Último Homem
- La La Land - Cantando Estações
- Manchester à Beira-Mar 

Melhor Design de Produção
- Animais Fantásticos e Onde Habitam
- Doutor Estranho
- Florence: Quem é Essa Mulher?
- Jackie
- La La Land - Cantando Estações 

Melhor Cabelo e Maquiagem
- Animais Noturnos
- Até o Último Homem
- Doutor Estranho
- Florence: Quem é Essa Mulher?
- Rogue One: Uma História Star Wars 

Melhor Som
- A Chegada
- Animais Fantásticos e Onde Habitam
- Até o Último Homem
- Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
- La La Land - Cantando Estações 

Melhor Canção Original
- A Chegada
- Animais Noturnos
- Jackie
- La La Land - Cantando Estações
- Lion: Uma Jornada para Casa

Melhor Efeitos Visuais
- A Chegada
- Animais Fantásticos e Onde Habitam
- Mogli: O Menino Lobo
- Rogue One: Uma História Star Wars 

Melhor Filme de Diretor/Roteirista/Produtor Britânico Estreante
- Notes on Blindness
- Sob a Sombra
- The Girl With All the Gifts
- The Hard Stop
- The Pass

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Os Inquilinos

Os Inquilinos, dirigido, co-roteirizado e produzido por Sérgio Bianchi, 2010, Brasil . Se tem um filme que me marcou foi esse. Talvez também por viver em um bairro adjacente a outro periférico me identifiquei. Pois bem: trata-se de uma trama a uma família que vive muito bem em sua casa construída pelas próprias mãos dos seus moradores e eis que de repente surge vizinhos com hábitos bastantes estranhos, tais como: festanças a noite e chegadas repentinas com todos bêbados um brigando com o outro. Seria cômico se não fosse trágico, mas fato é que a situação vivida pela família protagonista da trama está longe de ser diferentes de muitas várias outras, então sendo assim podemos configurar que assistimos a realidade brasileira nua e crua da periferia dos grandes centros urbanos, e isto meio que respinga em nós que vivemos fora da periferia. Mas por elas ou pelas tramas das historietas. O protagonista do filme é um pai de família como tanto outros que trabalha de dia e estuda de noite para ter uma vida melhor. A mulher por sua vez cuida dos filhos e da casa. Tudo vai muito bem até a chegada dos novos inquilinos. A história é contada numa periferia da grande São Paulo, mais poderia ser perfeitamente em qualquer outra metrópole brasileira já que apresenta os mesmos problemas. A trama se desenvolve neste contexto novo de vizinhos pra lá de cabulosos e de hábitos estranhos, que faz a vizinhança pensar que eram bandidos já que vieram da favela ao lado. A trama se desenvolve em meio a esses dois universos próximos e não muito distantes, embora os moradores do bairro na não favela pensem diferentes, isto é, que são seres melhores do que aqueles que vivem na favela e o tempo é o senhor a dizer que eles não tinham razão. Ou seja: da favela ou próximo dela as situações são parecidas, o que diferencia é o caminho de cada qual escolhe para a vida: ser o mocinho ou o vilão, embora estes dois termos neste contexto específico sejam bem próximos ao ponto de, por vezes, não enxergarmos quem é quem, já que os instintos de sobrevivência, e isto bem expandido pelo diretor, sejam de fatos iguais, isto é, os instintos de sobrevivência em uma terra sem mais lei onde quem manda é quem grita forte ou bota mais medo na concorrência. 

Música e Vida

Estava com meus botões pensando porque a música é a mais apreciada das artes ou a mais popular. Primeiro que ela tem o dom de penetrar em nossas mentes de forma quase que instantânea. Vi alguém falando ou li em algum lugar que a música é a única arte que o homem cria e não pode controlá-la ; isso talvez responda o porque da nossa conexão imediata com ela. Jorge Mautner já dizia que Newton não inventou a teoria da relatividade com a tal maça caindo da árvore em sua cabeça acordando-o. Na verdade Newton ficou o dia inteiro trabalhando até desistir de descobrir a fórmula da teoria da relatividade. Jantou e após foi ouvir Bethoven e Sebastian Bah. Dormiu e no sonho, isto é, através do seu subconsciente ele descobre a fórmula da teoria da relatividade. Há quem diga que se Newton não ouvisse Bethovem e Bah as respostas não viriam no sonho. Ou seja: a música transpõe a nossa capacidade matemática: ela pega na alma e quando isso acontece coisas incríveis sucedem-se também. Amamos a música porque ela nos provoca e não temos a noção da sua resposta e por não termos o poder de controlá-la, o que fazemos então: amamos, idolatramos aquilo que foi criado por nós, porém ganhou asas e disse a nós que mais não nos pertencia, que era maior que a gente e por isso seu lugar não era mais aqui conosco e sim para nos orquestrar e nortear nesse caminho imenso e confuso que chamamos vida. Vida esta que também é cheia de curvas e mistérios e por isso a música seja tão fundamental em nossas vidas. Quando adolescente fazia algumas participações em uma banda chamada Raízes Negras onde meus mais próximos amigos tocavam nela. Mesmo sem tocar ia aos ensaios e shows da banda e quando dava arranha na caixa: um instrumento com o ritmo mais ligeiro de todos que dava o tom aos repiques e surdos da banda. Sinceramente era um desastre: a minha era ficar na frente inventando coreografias para aquela época que imperava na Bahia os tambores da Timbalada e do Olodum, nada de Axé Music. Sempre tive inveja de quem sabia tocar algum instrumento, achava quem fazia isto um super capaz, de modo que meus dotes físicos eram menores em comparação a dominar não o corpo, mas um instrumento. Por nascer e crescer em Salvador meus amigos em sua maioria eram negros e tinham um suingue que gostaria de ter. Lembro-me de uma época que de tanto ir a ensaios de pagode com meus amigos e tentar dançar como eles queria ser negro também e me perguntava por que todos tinham nascidos negros e eu não. Enfim, de um modo ou de outro, como todo brasileiro, a música esteve presente em minha vida e em minha família também. De músicos profissionais temos dois que ainda hoje vivem da sua arte; um aqui e outro no Chile, estes dois que junto com o Capenga formaram o lendário grupo Bendegó, oriundo de Monte Santo para o Brasil em companhia de Caetano Veloso que, inclusive cantou um desses tios meus e ele como um bom macho sertanejo ficou puto com Caetano, afinal sertanejo é sertanejo e acima de tudo um forte que não permite esse tipo de frescuriçe de gênero. De um pai paulistano de origem italiana e uma dançarina nordestina nascemos eu, Tadeu e Olívia, não necessariamente nessa ordem. Admito que esses universos do sul e do norte não foram muito saudáveis para mim: era como se fosse um norueguês casasse com uma indiana, ao menos na minha cabeça. Mas nada melhor que o tempo para perceber que quanto mais diferença melhor por mais que seja doido compreender isso, mas pra que estamos aqui se não para tentar nos entender em nossas diferenças? Lembro-me de uma coisa dita pelo meu primeiro chefe, um gerente de recursos humanos, “ Diogo, a vida é simples as pessoas é que complicam”. Ele estava certo, só esqueceu-se de salientar que por sermos humanos somos complexos e misteriosos por natureza, assim como a música. Lição essa que aprendi a duras penas e experiências: que o ser humano não pode ser um ser simples porque em cada um da gente existimos inúmeros nós mesmos. Tratar as pessoas com simplicidade é que faz toda a diferença, talvez isso que ele deveria ter dito a mim no início da minha carreira, não que as pessoas são simples porque não o são nem em um interiorzinho e nem em uma grande metrópole, mas pra que vale a vida para descobrir que nem tudo o que te dizem é o certo ou verdade. O caminho é o senhor para te guiar não os conselhos, afinal se conselho fosse bom não seria grátis e sim pago como o almoço de cada dia.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Entreturnos

Entreturnos, de Edson Ferreira, Brasil, 2014. O roteiro é até besta, afinal quem não viu um homem casado se apaixonar por outra: fato absolutamente normal. O que instiga neste filme é a forma como ele se apaixona. Temos como protagonista um cobrador de ônibus casado com uma mulher gorda e sem sensualidade alguma; resultado: é traída por outra que nem é tão bonita, mas tem o tal do Tcham, aquela coisa que o homem fica doido por querer: o remelexo, a provocação de um short curto, e mais a consciência que é um ser fêmea e por isso usa e abusa dos seus atributos genuinamente femininos. A trama fílmica se desenrola num romance a três: dois homens e uma mulher, sendo que esta fica grávida de um dos dois, fato este que desestabiliza a esposa do protagonista, mas filho colocado no mundo é sem chance de mudar. A mulher grávida, porém tem um passado conturbado com um presidiário pedindo-lhe dinheiro e com isso complicando-se, afinal não existe almoço grátis. O diretor é competente em mesclar o passado com o presente dos personagens centrais da trama fazendo com que o passado chegue ao presente através de grana e por isso cause um assassinato. O filme é bacana por contar uma estória que pode acontecer com qualquer um, basta estar vivo para acontecera, afinal de contas se apaixonar é um risco que se corre a cada esquina. 

Contracorrente

Contracorrente, de Max Gagino, Brasil, 2014. O diretor é meu amigo, porém antes de tudo prezo pelo papel de crítico de cinema. Entendo que o diretor sai de um lugar litorâneo da Itália, deixando parente em meio a crise europeia, e isso está retratado no filme, mas como tripé da direção ao público tenho que ser sincero: tanto a narrativa como também os personagens são demasiadamente fracos, o que o faz do filme também taxado como ruim. A história é de um italiano que vem a Bahia para se autoconhecer. É como ele fosse à Índia e esperasse que todas as suas respostas fossem respondidas. É lógico que o Max fez do protagonista ele mesmo, porém o diretor tem origens africanas e o personagem é um genuíno branco italiano, ou seja, não colou. Ainda assim  a estória se desenvolve com o italiano migrando à Bahia devido a crise e este se esforçando a aprender o baianês através de um amigo gente boa que o coloca nas mais diversas situações. Fato é que o italiano ganha o pão de cada dia dando aulas do seu idioma a pessoas interessadas e através do seu lavoro ele consegue encontrar o que tanto procura: uma grande paixão. A moça é de da região da chapada diamantina, Itaberaba, e veio a Salvador fugida de um namorado ciumento. Aulas de italiano vêm e aulas vão até que o italiano dá o bote na sertaneja. O romance é rápido e sem muita frescura como o filme inteiro, mas é fato que os dois se envolvem e se se apaixonam. Como é sabido o visto de turista em qualquer país dura em média três meses de modo que nosso italiano ultrapassa esse período e a polícia federal fica em seu Virgílio. O que achei mais tosco foi o final do filme figurando a idéia de que o protagonista italiano tenha dado um “mais nunca” no agente federal e acabando o filme com algo de “alguma coisa de cú é rola”. Ou seja: supõe-se que o imigrante italiano muda de endereço e com isso engana a polícia federal e fica o tempo que quiser no Brasil. Por o filme ser autobiográfico lança-se a pergunta: será que o diretor Max Gaginno passou por essa situação constrangedora. Por ser bisneto de italiano me aprofundei o suficiente na trama para afirmar que a obra fílmica poderia ser mais desenvolvida, tanto no quesito roteiro como a direção. Se foi o primeiro longa do diretor é perdoável os erros, mas pelo que acompanho ele já fez vários curtas e acho que o resultado do longa deveria ser melhor, pois todos os curtas do Max são de extrema qualidade, coisa que não acontece neste longa metragem. Nunca fiz um curta nem tampouco um longa metragem, sou crítico de cinema e por enquanto estou satisfeito com isso, mas se pudesse dar um conselho ao diretor este seria que ele ficasse fazendo seus curtas-metragens de qualidade, inclusive um deles premiado em Gramado, e esquecer ao menos por enquanto em filmar longas metragens até que tenha a maturidade suficiente para isso. 

Capacetes Brancos

Capacetes Brancos, Netflix, EUA, 2016. Este curta está na Netflix e concorrendo ao Oscar. A história conta o dia a dia da defesa civil da capital da Síria, Alejo, diariamente bombardeada pelos russos principalmente. A função dos capacetes brancos é achar sobreviventes em meio aos escombros dos prédios atingidos pelas bombas jogadas via aérea. Cerca de três mil homens recebem treinamento na Turquia para este tipo de trabalho. Eles Ficam um mês num curso super intensivo e voltam para a Síria para salvar vidas que diariamente precisam da sua ajuda. Agora vejam bem: é justo civis receberem a conta por conta de meia centena de terroristas? A Rússia não quer nem saber e quem tiver na capital da Síria é alvo para morrer. O curta é tocante e até certo ponto angustiante por mostrar nua e cruamente o trabalho dos capacetes brancos, onde em uma cena em especial eles conseguem salvar um menino de um ano de idade e este fica sendo como um amuleto para o grupo. No curta não disseram a proporção( eles falaram que já salvaram sessenta e duas mil vítimas e quantas se foram então ?) mas tenho pra mim que para cada uma pessoa que eles salvam dez ao menos devem morrer ou até mais( quinhentos mil já morreram até agora). Essa guerra matando civis é fato muito sério e covarde. Acho que com os Donald Trump mais civis tendem a morrer sem culpa alguma a não ser a sua nacionalidade. Se este curta ganhar o Oscar seria muito bom para alertar o mundo desta covardia que está acontecendo. 

Décima Terceira Emenda

Décima Terceira Emenda, dirigido pela Ava DuVernay, EUA, 2016. Quando o documentário iniciou pensei que seria algo sobre o preconceito de raças e etnias, mas logo vi que tratava-se do sistema penitenciário norte-americano, o que também tem a ver com a raça negra, já que eles são em maioria naquele país como iguais outros, inclusive o nosso, Brasil. A Décima Terceira Emenda diz que todo cidadão norte-americano tem direito a liberdade após a lei da abolição da escravatura abolida pelo presidente Lincoln. O documentário, que concorre ao Oscar, vai a fundo ao quesito presidial daquele país onde a maioria das prisões é privada e existe, segundo a fita um empurrão, escrevemos assim, para prender mais e mais cidadãos, por supostos lucros que estas empresas teriam com um número maior de detentos, em na sua maioria: todos pretos, como diz a música intitulada por Haiti de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que neste caso o “Haiti” não é aqui, mas sim lá. O documentário vai mais além disso desse trocadilho poético; ele mostra que há cada quatro pessoas presas no mundo, uma está nos Estados Unidos. Para focar mais no preconceito racial o documentário discorre acerca das injustiças desde quando o país era colônia inglesa até os tempos atuais mostrando as mortes de afro-americanos por motivos aparentes banais somente devido a sua melanina mais alta e isso fazendo uma bela trajetória histórica desde Lüther King, onde este era ameaçado e caçado pelos brancos mais radicais que enforcavam os negros que tinham a ousadia somente de olhar a beleza uma mulher branca ou apenas eram julgados como serem vagabundos que mereciam o enforcamento por estarem de vadiagem pelas ruas. Enfim, mas que o tratado de questão presidiária dos Estados Unidos o documentário foca na questão do preconceito racial daquele país, que escreva-se de sinal é escancarado apesar do seu penúltimo presidente ser de origem afro-americana, muito diferente do Brasil , por exemplo, onde o racismo ainda é velado, isto é, supõe-se que aqui não existe racismo e as raças europeias, indianas e africanas vivam em total harmonia, fato este que estamos carecas de saber que não é verdade, inclusive por essa mentira estabelecida o racismo daqui é bem pior do que o de lá, porque lá ao menos eles não são hipócritas em afirmar que não existe o existe e aqui ainda insistem vergonhosamente em dizer que não existe racismo com a ajuda das igrejas, ou seja, estamos bem atrasados nesse quesito super importante para nos tornarmos uma nação mais digna. O documentário é o mais cotado a receber a estatueta no Oscar até por questões políticas, até mesmo porque lembrem-se que no ano passado a celebração não indicou nenhum diretor ou ator negro e talvez por isso, como uma forma de refazer o mau passado pode indicar o documentário como o melhor, embora que analisando como crítico cinematográfico devo escrever que este não mereça tal honraria e este já tenha abocanhado a principal premiação britânica chamada por BRAFTA no último domingo, então concordando ou não é o favoritíssimo a estatueta de melhor documentário em pleno Carnaval quando estaremos atentos ao Oscar 2017.

A Passagem

A Passagem, de Marc Dourdin, Brasil, 2013. Esse filme conta uma história atípica. Para dar um clima de velório Maria das Graças, uma negra forte de corpo e alma, é contratada para chorar diante do caixão do falecido (a). Não pense que é fácil chorar por alguém que você jamais conheceu: coloque-se na posição da Maria. Existe toda uma performance na hora de forçar o choro e dar o clima necessário ao velório de uma pessoa que, por vezes, não é tão querida e ninguém quer chorar por ela. Como diz o ditado popular: quem não chora não mama; e no caso da Maria das Graças se ela não chorar não ganha seu cachê, e não pense que é fácil entrar num velório com todos aliviados que aquele ente se foi e a Maria tem de fazer o papel de que aquele ente era querido e todos sentiam falta dele, por mais que isso seja mentira os parentes se apegam as poucas lembranças do falecido e entram na onda da Maria e começam a chorar com ela também. Não pensem que se trata de um trabalho fácil, mas todos nós temos um talento, e no caso da Maria é provocar as lembranças mais antigas dos entes que estão no velório. A obra fílmica além de contar essa história nos remete a pensar na única coisa que é a mais misteriosa para nós: o outro lado, ou seja, a morte. Como estamos aqui agora daqui a dois minutos podemos estar do outro lado e isso que intriga no filme: a fragilidade humana de desaparecer ou sair dos palcos da vida sem o direito de dizer adeus. De fato é um filme para apreciar, mas também para se pensar em que estamos fazendo com nossas vidas, afinal ela é ou não é um sopro? Deste modo basta viver e abusar da vida no sentido literal com as experiências de uma vida que propõe e consegue evoluir para o outro plano ou encarnação que estar por vir. Ou seja: ser corajoso consigo próprio pra realizar todos os seus desejos ocultos e por vezes não socialmente aceitos, porque quem julga não é juiz algum, mas sim a própria pessoa e seus pensamentos angustiantes de que deveria fazer isso ou aquilo, mas que por medo do que vão pensar não o faz e carrega o peso do não fazer para a próxima encarnação. Se estamos nesse plano temos que aproveitar aquele espermatozoide que lutou e ganhou a batalha entre tantos outros, e que nos gerou. Em outras palavras, para ateus e não ateus: para ser feliz é necessário coragem e em certa medida ser anárquico (a) ao que é ou está estabelecido pelos homens, que por sinal não sabem de nada do que é ou não é justiça, apenas elaboram elucubrações daquilo que poderia ser sensato ou correto, entretanto na verdade que são apenas especulações ou modos de brincarem de ser Deus para julgarem as pessoas.  

DDA

Sempre fui uma pessoa diferente das outras. Claro: todas as pessoas são diferentes, mas não me refiro especificamente a isto. Sempre tive a sensação de não pertencer a grupo algum, por mais que me esforçasse. Empurrei com a barriga esse fato até hoje achando normal esse meu jeito diferente por ser meio desligado das coisas e da vida e também por ter tanta gente assim como eu nunca diagonistiquei como doença o que tenho. Mas na real o DDA: distúrbio de déficit de atenção complica e muito a vida de quem o têm. Por exemplo, a pessoa que tem isso não saca quem é afim de você e entrevista de emprego então é sempre um desastre, pois para quebrar o nervosismo sempre ligo o agir de forma natural, e esse meu natural é não ligar pra nada e a pessoa se gostar de meu jeito que me contrate, mas por ser tão depreendido de tudo e todos nunca rola um trampo pelos empregadores me acharem um descomprometido com a sua organização. De tantos nãos em entrevistas de emprego fui aos poucos recorrendo às artes para não ficar tão ruim da cabeça. Sempre tento achar, por defesa própria, que a culpa é de quem não enxergou minha genuidade e virtuosidade (porque não...) e acabo me aproximando de inúmeras artes. A pintura, apesar de não desenhar, foi a arte que consegui me sentir mais bem; nela consigo colocar todas as outras artes e aliviar meu peito cheio de culpa pelo DDA. A vida as vezes é cruel , sempre achei que era um garoto normal: fiz primeira comunhão e era um dos que mais gostava da disciplina, jogava bem futebol e surfava ao ponto de participar de campeonatos e praticar o esporte diariamente durante anos, décadas até. Ficar no mar esperando a onda da série era uma coisa que me fazia bem de modo que nunca imaginaria ser diferente dos outros, afinal tem muita gente que não liga ou se faz não ligar sobre coisas que estão acontecendo na sua cara, que para tirarem uma de ator encenam e dizem que não viu o que aconteceu. Quem tem DDA não vê mesmo o que está embaixo do seu nariz e muitas vezes as pessoas não acreditam dizendo: “olhe mais para os lados cara!” Por mais que olhe não enxergo o que a pessoa quer que eu enxergue. Já até me acostumei em ser taxado como tapado, mas as consequências desse distúrbio é desoladora , tais como: solidão, não entender o comportamento dos outros e o principal: a falta de uma companheira. Tenho pra mim que só conseguirei achar alguém com esse mesmo distúrbio de ficar longe de tudo e todos mesmo se esforçando para que isso não aconteça. Agora percebo a minha tara por cinema: em uma sala escura as coisas parecem fazer sentido e me sinto um pouco normal. Não que o cinema seja uma fuga, na verdade foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida até agora, o cinema é de fato mágico por te tele transportar para outro universo durante duas horas ou mais. Agora com 39 anos e tudo que passei devido ao DDA saquei que não posso lutar contra esse distúrbio; se nasci assim meio desligado tenho que aceitar-me como Deus me fez e tocar a bola pra frente. Se não posso ser um homem de negócios que ao menos consiga sustentar-me e ainda ter ao menos um filho, sonho do qual ainda não abandonei: um Dioguinho com DDA ou não será muito bem vindo e quem sabe que com ele esse DDA possa até acabar, vai saber... Fato é que devemos nos aceitar como somos; se der pra evoluir , e sempre dá, então que busquemos essa tal evolução, mas jamais podemos esquecer da nossa essência existencial, pois tudo passa menos ela. Podemos e devemos correr atras dessa evolução nesse plano astral sendo um vencedor naquilo que se propõe a ser. Particularmente quero ser um cara que comprendam e respeitem meu jeito de ser, mas isso também deve a mim que aconteça sendo um cara competitivo a antenado naquilo que me traga alguma contrapartida, porque não existe essa de você estar antenado a tudo que acontece, senão enlouquece. Focar naquilo que quer e saber o que quer é do caralho, e é um caminho a ser descoberto ao longo das experiências que vivemos, mas não se iluda: quem faz seu destino é a sua vontade de evoluir passando por suas próprias dificuldades ou limitações. Se a vida fosse fácil não teria graça alguma; a descoberta da evolução é que nos move a sair do lugar e mudar o que achávamos como correto, por isso sempre procura esbugalhar os olhos perante todas as situações que não entendo para lutar contra essa porra DDA, pois como diria o poeta: DDA de cú é rola! Ou seja, basta termos uma motivação bacana para que o DDA suma, mas enquanto não rola nada de interessante tenho que ser não otário e ser amigo do DDA por esperteza ou por respeito sobre a minha própria personalidade. Sei que nunca serei um cara da porra que estará ligado em tudo, mas acho que selecionar o que você quer se antenar faz toda a diferença, afinal particularmente não quero mudar o mundo e acho que ninguém tem esse poder, nem o fuckking Donald Trump têm. Enfim , a hora de todo mundo chega e tenho certeza que não sou um cavalo paraguaio, modesta à parte. A sorte alinhada a hora certa há de chegar com DDA ou sem ele.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Desventuras em Série

Desventuras em Série, da NetFlix, EUA, 2017. Se você estiver esperando por uma série com um final feliz, então pode esquecer e parar de ler essa crítica cinematográfica, porém se lhe apetece ver a uma série que foge das outras produzidas atualmente, então continue e leia a crítica inteira porque assim é bem capaz que após a leitura te interesse ver a série completa. Pois bem, antes de iniciar a contar a série literalmente dita vamos a algumas informações técnicas desta. Lançada em uma sexta feira treze a série será o carro chefe da Netflix desse ano que está só começando. As segundas e terceiras temporadas já estão garantidas sendo que a primeira temporada contém oito episódios de mais ou menos uma hora cada. Desventuras em série é originária da literatura sendo que seu autor fez oito livros também ( que coincidência ! ). Além do seriado esta obra já foi filmada em Hollywood em 2004, mas o filme não teve tanto brilho como o da série atual. O protagonista da série da Netflix é na verdade o antagonista da trama. Na vida real além de ator o sujeito é um mágico profissional e essa informação faz-se toda necessária para quando estiver assistindo que percebam a sua atuação convincente, mas principalmente competente: sem dúvidas o melhor ator da série que conta com coadjuvantes com ótimas atuações também. Mas vamos a uma breve sinopse do piloto da série: Trata-se da história dos irmãos Boudelers que ficam órfãos no primeiro episódio quando um incêndio avassalador e misterioso matam pai e mãe na mansão em que viviam. Por serem menores de idade é concebido a eles um tutor que cuidassem deles até que a mais velha, de quatorze anos de idade, se tornasse maior perante a lei e pudesse administrar a enorme riqueza que seus falecidos pais deixaram. Para ser tutor deles tinha que ter algum grau de familiaridade, isto é, tinha que ser um parente mais próximo, e quando escrevo próximo se refere à proximidade mesmo e não grau de parentesco. Lei estapafúrdia a parte o parente que vivia na mesma cidade dos Boudelers era um conde bem transloucado que tinha como grande angústia o fato de não ser um bom ator, porém ainda assim continuava a ter esse sonho, mas só que agora não só esse desejo, mas como também se tornar milionário usurpando a herança dos Boudelers. Quem já assistiu há algum filme do diretor Tim Burton pode imaginar como é a fotografia da série: Sombria e cheia de locações que mexem com nossa imaginação. Os diálogos são quase sempre ironicamente inteligentes, pegando um pouco o ritmo dos filmes do Quentin Tarantino. Sim , os livros são infanto-juvenis, mas asseguro-lhes que a série, que trata-se de uma adaptação, é uma bela diversão para a família inteira pela acidez na ironia nos personagens mixadas com a imaginação que a trama pode chacoalhar as nossas mentes.  Mas voltemos a história dos Boudelers apresentando-lhes de um a um: como mencionado a mais velha era a menina de quatorzes anos que tinha uma capacidade de construir qualquer tipos de coisas fora do comum. Temos o do meio: o menino de doze anos que adorava ler e tinha uma memória fotográfica, ou seja, ajudava muito a irmã a sair das ciladas que se metiam , alias ajudava não, era mais ajudado que ajudava, escreva-se de passagem e por justiça, além de ser mais novo que ela. E em falar em mais novo tínhamos ainda uma bebe com um estranho, porém utilíssimo poder, que era o do roer qualquer tipo de coisa desde pedra a madeira mais casca grossa que viesse pela frente. Apresentado os irmãos Boudelers e seu triste destino à orfandade foquemos na historieta novamente. Pois bem: como primeiro tutor temos o Conde Olav: um sujeito nojento com uma casa mais ainda que obriga as crianças a deixá-la no grau antes da sua trupe de teatro chegar para um jantar que teria que ter sido feito pelos Boudelers. Os guris conseguem fazer um espaguete a Putanesca de dar água na boca até para o telespectador. O tempo passa e o conde Olav bola um plano para colocar a mão na fortuna dos Boudelers; faz uma peça teatral com eles e no meio desta é encenado um casamento real entre o conde e a menina mais velha dos Boudelers, pois somente o tutor teria o poder de deixar a menina cassar sendo menor de idade, e se fosse com ele, seu tutor, melhor ainda para que assim ele administrasse a fortuna por ser o marido de uma menor. O casamento é feito perante uma juíza de verdade e no papel, sendo assim que se tornam casados, mas só que não porquausa de um único motivo: a menina assina a certidão de casamento com a mão esquerda e ela é destra, dessa forma o casamento não tem valor algum e o conde é desmascarado perante o público e foge para não ser preso. Perante o ocorrido as crianças agora teriam que correr atrás de outro tutor. Então, um sujeito incompetente do banco que está à herança, acha outro parente “mais próximo”. Trata-se do Dr. Montegarry: um sujeito tarado por répteis e os têm e cria em sua casa na sala dos répteis. O nono tutor até que era gente boa, mas a sua loucura ensebada pelos animais deixa brechas para que o Conde Olav volte a amedrontar os Boudelers novamente com o disfarce de assistente do doutor Montegarry. As crianças tem que novamente achar outro tutor porque o Dr. Montegarry é assassinado. O idiota do banqueiro manda os infantis para uma tia distante que sofria de síndrome do pânico; resultado: dois capítulos a mais e esta é morte também pelo horrendo conde Olav que fará de tudo para por a mão na herança. A ficha cai e os Boudelers entendem que aquele banqueiro estúpido e tossudo não poderia protegê-los. Diante da constatação fogem de todos e vão procurar por seus pais por conta própria agora, se é que eles estão vivos como imaginam. Param numa marcenaria e lá ficam sabendo que seus pais colocaram fogo na cidade toda e são escravizados pelo dono. Lá percebem que existe uma sociedade internacional que defende alguma coisa muito importante. O Conde Olav os acha novamente e hipnotiza um dos Boudelers e após inúmeros episódios na marcenaria descobrem que seus pais não podem ser pessoas tão legais como imaginavam, alias nenhum adulto é “todo” legal, literal ou figurativamente. A série acaba com eles num banco de um internato com outras três crianças que supostamente vão entrar na segunda temporada. Por ser uma série somente de oito capítulos dá para maratonar e sair um pouco das séries e filmes cabeças permitindo que você dê asas a sua imaginação e volte a ser criança por um tempo.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Elle

Elle, do virtuoso Paul Verhoeven, França, 2016. Acho o ser humano do caralho por sua imprevisibilidade, isto é, em sua maneira que se comporta diante de situações em que ele mesmo cria ou por terceiros. Somos capazes de tudo, para o bem e para o mau em igual capacidade, por isso que somos interessantes, novamente para os dois lados, isto é, para ruim ou para bom. O filme ganhou o César, que trata-se do Oscar francês, e concorre ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar em pleno carnaval ( pra quem não gosta será um ótimo programa) , sendo um dos favoritos juntamente com o iraniano O Apartamento, onde o diretor e equipe não poderá ir ao prêmio por sua nacionalidade: coisa absurda, coisa de Trump. Mas Elle ( que é Ela em francês) começa com uma cena de tirar o fôlego onde a protagonista, que concorre a estatueta de melhor atriz para Isabelle Ruppert que de longe é a melhor das indicadas, mas por bairrismo estadunidense dificilmente levará. Pois bem, esta mulher rica, dona de uma empresa de jogos de vídeo game, é estuprada por alguém com uma mascara. Alias por alguém não, mas por um homem, já que é penetrada e sangrada e isso sem falar da tapa na cara que toma antes do ato não consentido. O filme começa com a cena e então pensamos agora é falar o que aconteceu e chamar a polícia, mas isso não acontece. O filme continua e o atacador ataca-a novamente com uma tapa de  costume antes do ato não concedido. Aí pensamos, porra será que foi um ato não concedido mesmo, porque se o fosse não concedido ela teria feito algo, mas esperou que ele atacasse-a novamente. E isto acontece diversas vezes até que sacamos que ela entra no jogo do cara e quer descobrir quem ele é. Ela desconfia do ex-marido, de alguns funcionários seus, mas não consegue o veredito de achar quem é o fulano que te trás prazer e raiva e isso não nessa ordem por necessário. Fato é que o filme é honestamente o melhor que vi esse ano e ano passado e não a toa a ABRACINE- associação brasileira de críticos de cinema, o elegeu como o melhor de 2016. Acho muito difícil que o filme não ganhe como melhor estrangeiro assim como acho mais difícil ainda a Isabelle Ruppert levar a estatueta de melhor atriz no Oscar 2017, e corre que ainda está em cartaz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Axé : Canto Do Povo De Um Lugar

Axé : Canto Do Povo De Um Lugar, dirigido e roteirizado por Chico Kertész, Brasil, 2017.  Apesar de ser soteropolitano nascido e criado aqui e ter orgulho disso, coloquei no bolso a minha empáfia de um cidadão underground da cena rocker soteropolitana e fui conferir a um filme que , hoje, nada tem a ver com a minha vida e relações, porém não sou estúpido e ignorante, pra não escrever hipócrita que já fui feliz em muitos carnavais cantarolando canções "olodunianas " que até os tempos vindouros reverberam minhas melhores lembranças carnavalescas. É importante também, e escrevo que até imprescindível que o Brasil reconheço que em Salvador existe uma puta cena rocker de responsa que não deixa a dever a nenhuma outra cidade brasileira metropolitana, porém o foco aqui não é o rock baiano, mas sim o Axé Music: o ritmo que fez da Bahia ser reconhecida mundialmente bem mais que o Raul seixas ou a Pitty, e isso que o senhor Raul que me perdoe e não fique remexendo-se do túmulo com a constatação que o poder da batida de um tambor foi e ainda é bem mais forte que um solo de sua guitarra vivendo de forma alternativa. Posto isto, ou seja, colocando em seu devido pedestal de realização e reconhecimento o axé e o rock baiano vamos ao filme. Todos os grandes nomes do ritmo estão na obra do Chico, a sua primeira inclusive. A narrativa do documentária é fluida e os diálogos são agradáveis e produzentes no sentido de dar as informações mais importantes no que era e o que se transformou o Axé Music: uma super máquina de entretenimento de fazer muita grana e criar, alias criar não, mas de magnetizar em forma de musas esculturais cantores do ritmo que conquistou o Brasil nos anos 1990 e ainda hoje o ritmo axé, com  os seus trinta anos, continua abatendo um bolão e comandando a massa brasileira, agora só que com a concorrência do sertanejo universitário. Ou seja: para quem torcia o nariz sobre músicas de poucas letras e muitas melodias rebolativas , e que deixavam o povo que esquece-se os seus problemas diários de inflação e corrupção em Terra Brasilis. O Axé Music conseguiu chegar aos seus trinta anos de existência e com muita elegância e também um poder de renovar surpreendente , escreva-se de passagem. Hoje em dia a grande questão do carnaval de Salvador está nos espaços do camarotes Vips da folia, sendo que cada vez existe menos espaço para aquele folião que não tem grana para pagar um desses camarotes ou blocos fechados. São os chamados foliões pipocas , que ficam cada vez com menos espaços para curtirem o carnaval. essa questão é bem desenvolvida no documentário do Chico, filho de um ex-prefeito da cidade e atualmente um radialista de prestigio em Salvador. A cada ano tenta-se bolar novas estratégias para que o título do carnaval de Salvador , ou seu slogan, ainda seja como : O carnaval para todos, mas o que vemos é que existe a cada ano que se passa um fortalecimento de um apartheid social onde quem tem grana curte o carnaval e quem não vai segurar a corda de um bloco de carnaval a troco de um misero retorno financeiro e um lanche com um sanduiche murcho e um suco quente no final da noite ou inicio da manhã, a depender do bloco que estiver sendo escravizado, assim como eram quando saíram da África para ajudarem a formar a nossa identidade brasileira. O documentário se torna interessante por nos fazer pensar acerca e sobre tudo isso: essas desigualdades que a cada ano tem um poder de se potencializar ainda mais, se é que isso é possível. Particularmente vejo o carnaval da Bahia daqui uns 15 anos como único e irrestrito somente para quem tem "bala na gulha" para poder pagar há algum camarote ou bloco vip de alguma cantora de pernas e voz grossa. O Chico, o diretor do documentário é um pouco mais otimista. Ele acha que o carnaval tende a ser devolvido ao povo como era antigamente. Pra mim é um caminho sem volta; vamos ver quem tem a razão daqui há uns quinze anos.

domingo, 22 de janeiro de 2017

The Crown

The Crown, da NetFlix, Nov-2016, EUA. Escrever sobre a série é comentar sobre a evolução da história da sociedade contemporânea de setenta anos pra cá. Trocando em miúdos: é impossível não mencionar economia e política global sem falar do tronado de Elisabeth II, mas antes vamos há alguns detalhes técnicos interessantes. A série foi a mais custosa que a NetFlix produziu em todos os tempos por uma bagatela de cento e trinta milhões de dólares para sua primeira temporada, e já garantida mais cinco por uma simples razão: a empresa quer de vez abocanhar o público europeu com seu serviço de streaming. Há quem ressalte que por ser uma obra impecável nos seus mínimos detalhes de época o fato da série ter sido tão onerosa, mas não fica só nisso, pois já existiram outras séries de épocas , futurísticas e não do passado recente e nem por isso seu oneração na produção fora tão alta. O fator essencial da série ter sido tão onerosa se deve a um plano da NetFlix em fidelizar o público europeu ao longo dos próximos cinco anos , ou temporadas, contando a história da família real inglesa. É de fato surpreendente o nível de detalhe de figurino e decoração que a série chega, ao ponto de certo ponto pensarmos que estamos naquela época vivendo os dramas e felicidades da corte inglesa. Entretanto se fosse para dar um título a essa primeira temporada o daria como: O fardo da coroa, porque a série nos conta como foi atípico e maçante a maneira precoce que a então princesinha Elisabeth II teve de assumir o posto de rainha ainda sem o preparo e idade para tal função emblemática. Quem já assistiu ao filme O Discurso do Rei deve estar mais familiarizado com a trama. O rei gago era o pai da rainha Elisabeth II  e este fica sendo rei nos dois primeiros episódios quando a "vala" o chama. Adentrando-se mais na família sabemos que antes do rei gago a coroa teria que ter ido a seu irmão mais velho, mas este não quis e pode assumir por escolher o amor ao invés da coroa casando-se com uma francesa já divorciada, fato este que a igreja inglesa jamais permitiria um rei com uma mulher já casada como sua esposa. A igreja é outro fator que claramente percebemos seu poder, mas que o enredo não desgasta essa relação nem com a família real e tampouco com o primeiro ministro Winston Churgil. Outra coisa que também sento falta foi o expandimento da trama na questão de Churgill como um elemento chave para o fim da segunda guerra mundial. A trama começa e desenrolar em 1947 quando a menina Elisabeth começa a perceber que a coroa vem a sua cabeça da maneira precoce e ela tem duas opções: fugir como fez seu tio em nome de um amor ou outra desculpa , ou assumir a coroa com a segunda guerra e todos os problemas que isso acarretaria. Quando mencionei no início do texto que a história do tronado da rainha se alinha ou se toca com a própria história da civilização mundial dos últimos setenta anos, ao menos, é justamente porque esse DNA inglês vem bem antes desse tempo. Os historiadores mais independentes afirmam de forma categórica que nem de longe os ingleses eram os melhores navegadores marítimos, porém os mais espertos. Os portugueses e espanhóis , nessa ordem , eram os melhores navegadores e não a toa que esses três países foram os que mais conquistaram colônias durante a descoberta dos novos continentes ou terras. Todavia quem lucrava estrategicamente mais com essas viagens aa terras desconhecidas eram os ingleses. Eles esperavam espanhóis , portugueses, holandeses . e entre outros povos chegaram próximos aos seus portos com os navios cheios de ouros e mercadorias preciosas para destruírem os navios a base de canhões inesperados e escondidos e roubarem as mercadorias. Por isso que desde 1500 o povo inglês é conhecido como um povo que não vacila estaticamente  perante a nenhum outro povo e provam o porque criaram a revolução industrial . Ou seja: por sua capacidade de estar a frente dos outros e também saber explorar o outro, e é assim que o mundo funciona ainda hoje e certamente ainda durante bastante tempo sob a égide do capitalismo, fruto da revolução industrial; talvez por isso que o Reino Unido possa ser considerado por muitos como a mais importante nação mundial no quesito desenvolvimento humano, e isso para o bem ou para o mau, mas fato é que eles colocaram o carvão para o mundo aquecer e girar comercial e economicamente de forma global transformando cada vez mais países em aldeias conectadas e acessíveis. Mas voltemos a trama The Crown ou a coroa, pois bem cada capítulo tem uma singela independência sendo que as vezes um se torna mais monótono, leia-se europeu, que outro por o roteirista insistir em voltar no tempo onde ora a rainha é criança ou onde é monarca: isso de certa forma enseba a historieta de modo que a fica enfadonha em certos capítulos, mas vencendo essas nuances temos como trama principal a rixa entre as irmãs Elisabeth, sendo que a caçula é mais carismática, mas não conhece ou não quer saber dos deveres de ser uma monarquia. Ou seja: para ser uma rainha é necessário um desprendimento humano maior do que somente brilhar e estampar as revistas como uma anfitriã moderna e gente fina. Para ser rainha é necessário ser até certo ponto ranzinza e se estabilizar com os valores nada pops da igreja da Inglaterra, esta que não é a igreja católica, mas que tem seus calcanhares de Aquiles também. Além disso a rainha tem que se reinventar a todo momento com o parlamento inglês que não faz dela uma figura decorativa apenas, isto é, é preciso um rebolado mais que convincente para que a Rainha fique bem no Reino unido além das suas várias colônias espelhadas pelo mundo afora como Quênia, Índia, Egito, Austrália, etc. ou seja: bastante trabalho para uma moça com menos de quarenta anos de idade. Outra coisa que não deixar de ressaltar são os problemas atuais que o mundo se encontra com as migrações por conta de guerras e outros fatores , que na série fica explicitada de forma categórica quando o Reino Unido perde sua pujança militar perante um revoltoso peculiar egípcio , fazendo com que logo linkarmos as tais primaveras árabes com Estados Islâmicos inseridos ao que chamamos de terrorismos maçantes atuais ou de homens bombas aterrorizando o planeta por causa vulgo extremistas religiosas. Embora tenha pincelado sobre o fato, mas o relacionamento que mais chamou atenção na série foi a competição entre a rainha e sua irmã caçula. Estava nítido que existia uma inveja entre ambas e a coisa só não ficou maior porquausa do poder, isto é, uma mandava e a outra tinha que obedecer.  Quando se é uma rainha ou um rei tem-se que passar por cima de algumas vaidades humanas, ou seja, tem-se que ser sobre-humano para comandar, quase um parasita que suga o outro para ter o poder e mandar ao máximo seus discípulos o tem de fazer. O poder é uma forma cruel de colocar ordem no terreio, mas imprescindível para quem ordena e para quem é ordenado também, e isso a gente observa na relação da rainha com a sua irmã caçula, que embora tenha um carisma privilegiado, além do humor, não tem a responsabilidade do pulso para comandar o Reino Unido e suas diversas colônias. No mais é apreciar as mais das dez horas dos dez episódios da primeira temporada, e após isso afirmar que valeu conhecer um pouco mais a história da ranzinza rainha atual do Reino Unido, e se ela é ranzinza é porque teve responsabilidades diversas para adquirir este caráter duvidoso, mas também sólido e forte, e se o mundo é que é hoje é também porquausa, ao menos um pouco, desse rígido regime monárquico que a corte inglesa implantou para a sua quinta rainha do seu reinado, então palmas a Grã-Bretanha e a tudo que ela fez e ainda faz para que esse mundo continue a girar de forma global e democrática.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Eu, Daniel Blake



Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach,  Reino Unido, França, Bélgica, 2016. Não conhecia o protagonista, Dave Johns, mas após ler algumas críticas do filme soube que ele é um pop star na Inglaterra fazendo shows de stand-ups, isto é, um comediante, mas que mostra de maneira dramática e competente a situação de um marceneiro que sofre um ataque cardíaco e se vê todo embaralhado para provar ao sistema inglês que de fato ele teve um ataque e estava impossibilitado de trabalhar. Escrevendo assim parece ser uma coisa bem simples, ou seja, vai ao médico e o profissional te autoriza a ficar em casa sendo sustendo pelo governo até que a pessoa fique boa ou apta ao trabalho novamente. Na teoria isto seria uma coisa fácil, mas sabemos que na prática o buraco é bem mais em baixo, isto é, a pessoa provar que ela não está mentindo para o governo. Este novo filme do esquerdista diretor inglês, que inclusive ganhou o prêmio de melhor filme do último festival de Cannes, mostra as mazelas da comunicação inoperante e humilhante dos cidadãos e seus governos. E o filme vai mais além: discute também os fluxos migratórios que  vivemos por guerra e governos tiranos; todos esses imbróglios encontra-se em tela: em um emaranhado de situações limites de quem não souber se virar nos trinta, vai ficar na mão do automatismo da máquina estatal e por consequência se dará bastante mal. Se o filme é digno da palma de ouro de Cannes? Oh se é, pois dá vozes a muitos coitados que por conta da burrocracia, ou seria burocracia mesmo? Mas por conta desta se veem sem teto e comida nas ruas de todo o mundo, e não só aqui ou na Inglaterra: Filmaço que dá pra sair dizendo da sessão: ganhei meu dia.